Mafia dos Livros.

Harry Potter e as Relíquias da Morte





SUMÁRIO
Dedicatória
Poemas
CAPÍTULO 01 - A ASCENSÃO DO LORDE DAS TREVAS
CAPÍTULO 02 - IN MEMORIAN
CAPÍTULO 03 - A PARTIDA DOS DURSLEY
CAPÍTULO 04 - OS SETE POTTERS
CAPÍTULO 05 - GUERREIRO CAÍDO
CAPÍTULO 06 - O VAMPIRO DE PIJAMAS
CAPÍTULO 07 - O TESTAMENTO DE ALVO DUMBLEDORE
CAPÍTULO 08 - O CASAMENTO
CAPÍTULO 09 - UM LUGAR PARA SE ESCONDER
CAPÍTULO 10 - A HISTÓRIA DE MONSTRO
CAPÍTULO 11 - O SUBORNO
CAPÍTULO 12 - MAGIA É PODER
CAPÍTULO 13 - COMISSÃO DE REGISTRO PARA NASCIDOS T...
CAPÍTULO 14 - O LADRÃO
CAPÍTULO 15 - A VINGANÇA DO DUENDE
CAPÍTULO 16 - GODRIC'S HOLLOW
CAPÍTULO 17 - O SEGREDO DE BATHILDA
CAPÍTULO 18 - Vida e Mentiras de Alvo Dumbledore
CAPÍTULO 19 - A CORSA PRATEADA
CAPÍTULO 20 - XENOPHILIUS LOVEGOOD
CAPÍTULO 21 - O CONTO DOS TRÊS IRMÃOS
CAPÍTULO 22 - AS RELÍQUIAS DA MORTE
CAPÍTULO 23 - A MANSÃO MALFOY
CAPÍTULO 24 - O FABRICANTE DE VARINHAS
CAPÍTULO 25 - CABANA DE CONCHAS
CAPÍTULO 26 - GRINGOTES
CAPÍTULO 27 - O ESCONDERIJO
CAPÍTULO 28 - O ERRO DO ESPELHO
CAPÍTULO 29 - A TIARA PERDIDA
CAPÍTULO 30 - A DEMISSÃO DE SNAPE
CAPÍTULO 31 - A BATALHA DE HOGWARTS
CAPÍTULO 32 - A VARINHA ANCIÃ
CAPÍTULO 33 - A HISTÓRIA DO PRÍNCIPE
CAPÍTULO 34 - DE VOLTA À FLORESTA
CAPÍTULO 35 - KING'S CROSS
CAPÍTULO 36 - O ERRO NO PLANO
Epílogo

Dedicatória

A dedicatória deste livro é dividida em sete partes.
Ao Neil
A Jessica
Ao David
A Kenzie
A Di
A Anne
E à você, que ficou com o Harry até o fim.

Poemas

Poemas

"A morte é além de cruzar o mundo, como amigos fazem nos mares; Vivem dentro um do
outro. Para eles as necessidades devem estar presentes, esse amor é viver naquele que
é Onipotente. Neste vidro/espelho divino, se vêem cara a cara; e suas conversas são
livres, assim como puras. Este é o conforto dos amigos, que pensavam que poderiam
morrer, ainda sua amizade e sociedade são, no melhor sentido, sempre presente, porque
é imortal".
(William Penn - Fruits of Solitude. Parte II: Union of Friends)
Oh, o pão de tormento na raça,
o grito moendo da morte
e o golpe que bate a veia,
a hemorragia que nenhum pode estancar, a aflição,
a maldição que nenhum homem pode agüentar.
Mas há uma cura na casa,
e não fora disto, não,
não de outros mas deles,
a discussão sangrenta deles. Nós cantamos à vocês,
deuses escuros em baixo da terra.
Agora ouça, os poderes felizes debaixo da terra
responda a chamada, envie ajuda.
Abençoe as crianças, lhes dê agora o triumfo.
Aeschylus, The Libation Bearers

CAPÍTULO 01 - A ASCENSÃO DO LORDE DAS TREVAS

CAPÍTULO 01 - A ASCENSÃO DO LORDE DAS TREVAS

Os dois homens apareceram do nada, separados por apenas alguns metros na estreita
rua iluminada pela lua. Por um momento eles ficaram parados, com as varinhas
apontadas para seus peitos, então, ao se reconhecerem, guardaram suas varinhas
debaixo de suas capas e começaram a andar apressadamente na mesma direção.
- "Novidades?" Perguntou o mais alto dos dois.
- "As melhores." Respondeu Severo Snape.
A rua era cercada à esquerda por pequenas amoreiras, e à direita por uma fileira de altos
arbustos cuidadosamente podados. As longas capas dos homens balançavam ao redor
de seus tornozelos enquanto caminhavam.
- "Já pode ser demasiado tarde," disse Yaxley, suas feições arredondadas ficando fora de
vista a medida que galhos desgarrados de suas árvores bloqueavam a luz do luar. "Foi
um pouco mais complicado do que eu imaginava. Mas eu acho que ele ficará satisfeito.
Você está confiante de que a sua recepção será boa?"
Snape concordou afirmativamente mas não se aprofundou no assunto. Eles viraram à
direita, em uma larga garagem que dava acesso à rua. A alta fileira de arbustos
continuava à distância, além dos impressionantes portões de ferro trabalhados que
barravam o caminho dos homens. Em silêncio, ambos levantaram seus braços esquerdos
numa espécie de cumprimento e atravessaram os portões, como se este fosse feito de
fumaça.
As amoreiras abafavam os sons dos passos dos homens. Ouviu-se um farfalhar à
direita. Yaxley sacou sua varinha e apontou-a por cima da cabeça de seu companheiro,
mas a fonte sonora provou-se ser apenas um pavão albino varrendo majestosamente de
uma ponta a outra do topo do arbusto.
- "Ele sempre fez bem a si mesmo, Lúcio, Pavões." Yaxley guardou de volta sua varinha
debaixo de sua capa com um grunhido.
Um belo casarão se destacava na escuridão ao final do caminho estreito, com
luzes piscando nas janelas brilhantes do térreo. Em algum lugar no jardim escuro, atrás
dos arbustos, uma fonte soava curta e grave abaixo de seus pés, enquanto Snape e
Yaxley se apressavam em direção à porta da frente, que se abriu para dentro com a
aproximação deles, embora não houvesse ninguém visível capaz de abri-la.
O hall de entrada era grande, pouco iluminado, e suntuosamente decorado, com
um magnífico carpete cobrindo a maior parte do chão de pedra. Os olhos dos retratos nas
paredes seguiram Snape e Yaxley assim que eles passaram. Os dois homens pararam
em uma pesada porta de madeira que levava à próxima sala, hesitaram pelo tempo de um
pulsar de seus corações, até que Snape girou a maçaneta de bronze.
A sala de estar estava cheia de pessoas em silêncio, sentadas em uma grande e
ornamentada mesa. Os móveis costumeiros da sala foram empurrados bruscamente em
direção às paredes. A iluminação vinha de uma fogueira estalante acesa em uma bela
lareira de mármore cercada de um espelho banhado a ouro. Snape e Yaxley se
demoraram por um momento na entrada. À medida que seus olhos se acostumaram à
falta de luz, eles tomaram consciência do detalhe mais estranho da cena: uma figura
humana aparentemente inconsciente, estava pendurada de cabeça para baixo acima da
mesa, girando vagarosamente como se estivesse suspensa por uma corda invisível,
refletida no espelho e na superfície polida da mesa abaixo. Nenhuma das pessoas
próximas a essa situação singular estavam olhando para ela, exceto por um jovem pálido
sentado praticamente abaixo dela. Ele parecia incapaz de evitar de olhar para cima de
minuto em minuto.
- "Yaxley, Snape," falou uma voz aguda e clara da cabeceira da mesa, "Vocês estão
muito, quase atrasados."
O interlocutor estava sentado diretamente à frente da lareira, de maneira que era
difícil, a princípio, aos recém chegados, distinguir mais que sua silhueta. À medida que
chegaram mais perto, no entanto, sua face brilhou através da penumbra, careca, um rosto
ofídico, com rasgos estreitos no lugar de narinas e olhos vermelhos e brilhantes cujas
pupilas eram verticais. Ele era tão pálido que parecia emitir um brilho perolado.
- "Severus, aqui," disse Voldemort, indicando o assento imediatamente à sua direita,
"Yaxley-ao lado de Dolohov."
Os dois homens tomaram seus lugares definidos. A maioria dos olhares na mesa
seguiam Snape, e foi com ele que Voldemort falou primeiramente.
- "E então?"
- "Meu Lorde, a Ordem da Fênix pretende tirar Harry Potter de seu atual lugar de
segurança no Sábado, ao anoitecer."
O interesse ao redor da mesa mudou perceptivelmente. Alguns enrijeceram,
outros ficaram inquietos, todos olhando para Snape e Voldemort.
- "Sábado,... ao anoitecer," repetiu Voldemort. Seus olhos vermelhos fitando os pretos de
Snape com tanta intensidade que alguns dos observadores desviaram o olhar,
aparentemente receosos que eles mesmos seriam atingidos pela ferocidade do olhar.
Snape, no entanto, olhava calmamente no rosto de Voldemort, e após alguns momentos,
a boca sem lábios de Voldemort se curvou no que parecia ser um sorriso.
- "Bom, muito bom. E essa informação vem de-"
- "-da fonte sobre a qual discutimos." disse Snape.
- "Meu Lorde."
Yaxley se curvou para frente para olhar para Voldemort e Snape. Todos os rostos
se viraram para ele.
- "Meu Lorde, eu ouvi outra coisa."
Yaxley esperou, mas Voldemort não falou, então ele continuou.
- "Dawlish, o Auror, deixou escapara que Potter não vai ser mudado de lugar até o dia 13,
a que precede o aniversário de 17 anos dele."
Snape estava sorrindo.
- "Minha fonte me disse que há planos de dar um alarme falso; esse deve ser o referido.
Não há dúvida que um Feitiço Confumdus foi posto em Dawlish. Não seria a primeira vez,
ele é conhecido por ser suscetível a tais artifícios."
- "Eu posso lhe assegurar, meu Lorde, que Dawlish parecia estar muito certo do que
disse," disse Yaxley.
- "Se ele está sob feitiço, obviamente ele vai parecer confiante." disse Snape
- "Eu lhe garanto, Yaxley, que o escritório dos Aurores não vai desempenhar papel na
proteção de Harry Potter. A Ordem acredita que nós estamos infiltrados no Ministério."
- "A Ordem supõe uma coisa corretamente então, né?" disse um homem baixo e gordo
sentado não muito distante de Yaxley, ele deu uma risadinha forçada que ecoou aqui e ali
por toda a mesa.
Voldemort não riu. Seu olhar havia se detido acima, em direção ao corpo que
girava vagarosamente, e ele parecia perdido em pensamentos.
- "Meu Lorde," Yaxley continuou, "Dawlish acredita que um esquadrão inteiro de Aurores
vai ser usado para transferir o garoto-"
Voldemort levantou uma grande mão branca, e Yaxley parou de uma vez, olhando
amargamente à medida que Voldemort se virou para Snape.
- "Onde eles vão esconder o garoto em seguida?"
- "Na casa de um dos participantes da Ordem" disse Snape. "O lugar, de acordo com a
fonte, recebeu toda proteção que a Ordem junto com o Ministério podem dar. Eu acredito
que a chance de o pegarmos assim que ele estiver lá é pequena, meu Lorde, a não ser
que o Ministério, é claro, tenha sido derrotado antes do próximo sábado, o que talvez nos
daria oportunidade de descobrir e desfazer encantamentos suficientes para passar pelos
restantes."
- "Bom, Yaxley?" Voldemort chamou-o através da mesa, a luz do fogo refulgindo
estranhamente em seus olhos vermelhos. "O Ministério será derrotado até o próximo
Sábado?"
Mais uma vez, todas as cabeças giraram. Yaxley ajeitou seus ombros.
- "Meu Lorde, eu tenho boas notícias em relação à isso. Eu consegui - com grande
dificuldade, e depois de muito esforço - lançar uma maldição Imperius em Plus
Thicknesse."
Muitos daqueles sentados em volta de Yaxley pareceram impressionados, seu
vizinho de cadeira, Dolohov, um homem com uma grande e estranha face, deu um
tapinha em suas costas.
- "É um começo," disse Voldemort, "Mas Thicknesse é apenas um homem, Scrimgeour
deve estar cercado de nossa gente antes que eu aja. Um atentado mau-sucedido à vida
do Ministro, pode me retroceder um bom caminho.
- "Sim - meu Lorde - isso é verdade - mas você sabe, como Chefe do Departamento de
Aplicação das Leis da Magia, Thicknesse tem contato regular não somente com o
ministro, bem como todos os chefes de departamento do Ministério. Será fácil, creio eu,
agora que nós temos um oficial de ranking tão elevado sob nosso controle, subjugar os
outros, e então eles podem todos trabalhar juntos para derrubar Scrimgeour."
- "Isso se o nosso amigo Thicknesse não for descoberto antes que ele tenha convertido o
resto," disse Voldemort. "Em qualquer ritmo, ainda continua sendo improvável que o
Ministério seja meu antes do próximo sábado. Se nós não podemos alcançar o garoto em
seu destino, então isso deve ser feito enquanto ele viaja."
- "Nós estamos em vantagem aqui, meu Lorde." disse Yaxley, que parecia determinado a
receber algum tipo de aprovação. "Agora nós temos muitas pessoas posicionadas dentro
do Departamento de Transporte Mágico. Se Potter Aparatar ou usar a rede de Floo, nós
saberemos imediatamente."
- "Ele não fará nenhum dos dois," disse Snape. "A Ordem está evitando todo tipo de
transporte que seja controlado ou regulado pelo Ministério, eles desconfiam de tudo que
tenha a ver com o mesmo."
- "Melhor ainda." disse Voldemort. "Ele vai ter que se mover em campo aberto. Mais fácil
de pegá-lo, sem dúvidas."
Mais uma vez Voldemort fitou o corpo que girava vagarosamente enquanto ele
continuou
- "Eu mesmo vou atrás do garoto. Já houve muitos erros no que diz respeito a Harry
Potter. Alguns deles foram meus próprios. O fato de Potter viver se deve mais a meus
erros do que aos seus triunfos."
O grupo em volta da mesa observou Voldemort apreensivamente, cada um deles,
através de sua expressão. com medo de serem culpados por Harry Potter continuar
existindo. Voldemort, no entanto, parecia estar falando mais consigo mesmo do que para
qualquer um deles, ainda atento ao corpo inconsciente acima dele.
- "Eu não fui cuidadoso, e também fui frustrado pela sorte e pela chance, esses estraga
prazeres de todos menos dos planos mais bem elaborados. Mas eu sei melhor agora, eu
entendo coisas que eu não entendia antes, eu devo ser a pessoa que mata Harry Potter, e
eu vou ser."
Com essas palavras, como que em resposta à elas, um repentino berro ressoou.
um terrível grito profundo de miséria e dor. Muitos dos que estavam na mesa olharam
para baixo, surpresos pelo som que parecia ter vindo debaixo de seus pés.
- "Rabicho?" falou Voldemort, sem mudar o seu tom baixo e sóbrio, e sem tirar os olhos
do corpo que girava acima, "Eu já não te falei sobre manter o nosso prisioneiro quieto?"
- "Sim, m-meu Lorde," engasgou um pequeno homem na metade da mesa, que estava
sentado tão profundamente em sua cadeira que a princípio parecia desocupado. Agora
ele saltava de sua cadeira e disparava da sala, deixando nada mais atrás dele que um
curioso brilho de prata.
- "Como eu estava falando" continuou Voldemort, olhando mais uma vez para as tensas
faces de seus seguidores. "Eu entendo agora, eu posso precisar, por exemplo, emprestar
uma varinha de um de vocês antes que eu vá matar Potter."
As faces à sua volta entraram em choque, ele pareceu ter anunciado que queria
um braço de um deles emprestado.
- "Sem voluntários?" disse Voldemort, "Vamos ver... Lúcio, eu não vejo razão para você
ainda ter uma varinha."
Lúcio olhou para cima. Sua pele parecia amarela e feita de cera sob a luz do fogo,
seus olhos eram profundos e sombrios. Quando ele falou, sua voz estava embargada.
- "Meu Lorde?"
- "Sua varinha, Lúcio. Eu estou requisitando a sua varinha."
- "Eu..."
Malfoy olhou de lado para sua esposa. Ela estava parada logo à frente, quase tão
pálida quanto ele, seu longo cabelo loiro caído em suas costas, através da mesa os dedos
finos de sua esposa fecharam brevemente em seu punho. Ao toque dela, Malfoy pôs a
mão em seu robe, sacou uma varinha e a passou para Voldemort, que a segurou em
frente à seus olhos vermelhos, examinando-a atentamente.
- "Do que ela é feita?"
- "Ulmeiro, meu Lorde" sussurou Malfoy.
- "E o núcleo?"
- "Dragão - coração de dragão."
- "Bom." disse Voldemort. Ele sacou sua própria varinha e comparou os comprimentos.
Lúcio Malfoy fez um movimento involuntário, por uma fração de segundo, pareceu que ele
esperava receber a varinha de Voldemort em troca da sua. O gesto não foi ignorado por
Voldemort, cujos olhos apertaram maliciosamente.
- "Te dar a minha varinha, Lúcio? Minha varinha?"
Alguns dos presentes deram risadinhas.
- "Eu dei a você a sua liberdade, Lúcio, isso não é o suficiente para você? Mas eu tenho
notado que você e a sua família parecem menos que felizes. O que há com a minha
presença em sua casa que o incomoda, Lúcio?"
- "Nada - nada, meu Lorde."
- "Tais mentiras Lúcio..."
A voz suave parecia continuar a sair como um chiado de cobra, mesmo depois de
a boca cruel ter parado de se movimentar. Um ou dois dos bruxos quase não seguraram
um tremido assim que o chiado começou a ficar mais alto; alguma coisa pesada pôde ser
ouvida deslizando através da mesa, embaixo dela.
A cobra imensa emergiu e escalou lentamente a cadeira de Voldemort. Ela se
levantou, aparentemente sem fim, e veio a descansar nos ombros de Voldemort. Seu
pescoço da espessura da coxa de um homem; seus olhos, com seus orifícios verticais no
lugar de pupilas, não piscavam. Voldemort tocando a criatura distraidamente com seus
longos dedos, ainda olhando para Lúcio Malfoy.
- "Porquê os Malfoy parecem tão infelizes com seu bando? Não é o meu retorno, minha
ascensão ao poder, o que eles sempre proclamaram desejar por tantos anos?"
- "Mas é claro meu Lorde," disse Lúcio Malfoy. Sua mão tremia enquanto ele secava o
suor de seu lábio superior. "Nós desejávamos isso - nós ainda desejamos."
À esquerda de Malfoy, sua mulher fez um estranho gesto de afirmação, seus olhos
desviados de Voldemort e da cobra. À sua direita, seu filho, Draco, que esteve olhando o
corpo inerte pendurado, olhou rapidamente Voldemort e desviou o olhar em seguida,
aterrorizado com o contato visual.
- "Meu Lorde," disse uma mulher morena na metade da mesa, sua voz modificada pela
emoção. "é uma honra tê-lo aqui, na casa de nossa família. Não há honra maior que
essa."
Ela sentava ao lado de sua irmã, diferente dela na aparência, com seus cabelos
negros e olhos de pálpebras pesadas, assim como também era diferente em seu
comportamento; enquanto Narcissa estava sentada rígida e impassiva, Bellatrix estava
curvada em direção a Voldemort, como se palavras não pudessem demonstrar o seu
anseio por contato físico com ele.
- "Não há prazer maior," repetiu Voldemort, sua cabeça virou um pouco para um lado
enquanto ele analisava Bellatrix. "Isso significa muito, Bellatrix, vindo de você."
Seu semblante se encheu de cor, seus olhos lacrimejaram de prazer.
- "Meu Lorde sabe que eu falo nada além da verdade!"
- "Não há prazer maior...mesmo comparado com o evento feliz que eu fiquei sabendo que
aconteceu com a sua família essa semana?"
Ela o fitou, seus lábios partidos, evidentemente confusa.
- "Eu não sei do que você está falando, meu Lorde."
- "Eu estou falando da sua sobrinha, Bellatrix. E sua também, Lúcia e Narcissa. Ela
acabou de se casar com o lobisomem, Remus Lupin, vocês devem estar tão orgulhosos."
Houve uma erupção de gargalhadas desrespeitosas ao redor da mesa, muitos se
curvaram para a frente para uma troca de olhares contentes, alguns bateram na mesa
com seus punhos. A grande cobra, não gostando da bagunça, abriu a sua boca
exageradamente e chiou nervosa, mas os Comensais da Morte não prestaram atenção,
embriagados de felicidade pela humilhação de Bellatrix e dos Malfoy. O rosto de Bellatrix,
recentemente inundado de felicidade, ficou rubro.
- "Ela não é nossa sobrinha, meu Lorde." ela gritou em meio à balbúrdia, "Nós - Narcissa
e eu - nunca colocamos os olhos em nossa irmã depois que ela se casou com o sangueruim.
Aquela peste não tem nada conosco, e nem a besta com a qual ela se casou."
- "E o que você diz, Draco?" perguntou Voldemort, e apesar de sua voz ser baixa, ela
passou claramente por todo o barulho e excitamento, "Você vai ser babá dos filhotinhos?"
A hilaridade tomou conta; Draco Malfoy olhou em terror para seu pai, que estava
olhando para seu próprio colo, e depois cruzou o olhar com o de sua mãe. Ela balançou
sua cabeça imperceptivelmente, então voltou a olhar liturgicamente para a parede oposta.
- "Já basta." disse Voldemort, acariciando a cobra raivosa, "Já basta"
E as risadas pararam de uma só vez.
- "Muitas de nossas mais tradicionais árvores genealógicas se tornam um pouco doentes
com o passar do tempo," ele disse enquanto Bellatrix olhava para ele, sem fôlego e
implorando.
- "Vocês devem podar as suas, não devem, para mantê-las saudáveis? Cortar fora
aquelas partes que ameaçam a saúde do resto."
- "Sim, meu Lorde." sussurrou Bellatrix e seus olhos se enchiam de lágrimas de gratidão
novamente. "Na primeira chance!"
- "Você a terá" disse Voldemort. "E em sua família, assim como no mundo...nós vamos
cortar fora a praga que nos infesta até que somente os sangue-puro restarão..."
Voldemort levantou a varinha de Lúcio Malfoy, apontou ela diretamente para a
figura que rodava vagarosamente, suspensa acima da mesa, e deu um pequeno giro. A
figura voltou a vida com um grunhido e começou a lutar contra barreiras invisíveis.
- "Você reconhece nosso convidado, Severo?" perguntou Voldemort
Snape ergueu seus olhos para o rosto virado de cabeça pra baixo. Todos os
Comensais da Morte estavam olhando para o prisioneiro agora, como se lhes tivesse sido
dada a permissão para demonstrar curiosidade. À medida que girava para encarar a luz
do fogo, a mulher disse em uma aguda e aterrorizada voz.
- "Severo, me ajude!"
- "Ah sim," disse Snape enquanto a prisioneira virava de devagar de volta.
- "E você, Draco?" perguntou Voltemort, acariciando o focinho da cobra com a mão livre.
Draco concordou com sua cabeça de maneira boba. Agora que a mulher havia acordado,
ele parecia ser incapaz de continuar olhando para ela.
- "Mas você não fazia disciplina dela," disse Voldemort. "Para aqueles que não sabem,
nós estamos reunidos aqui hoje à noite, por Charity Burbage que, até recentemente,
lecionava na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!"
Houve pequenos barulhos de compreensão ao redor da mesa. Uma mulher brega,
de dentes pontudos gargalhou.
- "Sim...Professora Barbage ensinava às crianças bruxas tudo sobre os trouxas... como
eles não são muito diferentes de nós..."
Um dos Comensais da Morte bateu no chão. Charity Burbage girou a ponto de fitar
Snape novamente.
- "Severus...por favor...por favor..."
- "Silêncio," disse voldemort, com mais um movimento com a varinha de Malfoy, e Charity
ficou em silêncio como se tivesse sido calada. "Não contente em corromper e poluir as
mentes das crianças bruxas, semana passada, a Professora Burbage, escreveu uma
apaixonada defesa sobre os sangue-ruins no Profeta Diário. Os bruxos, ela diz, devem
aceitar esses ladrões de seus conhecimentos e magias. A diminuição dos sangue-puros é,
diz a Professora Burbage, uma circunstância mais que desejável... Ela faria todos nós
casarmos com trouxas... ou, não duvido nada, com Lobisomens..."
Ninguém riu dessa vez. Não havia como não discernir a raiva e o desprezo na voz
de Voldemort. Pela terceira vez, Charity Burbage girava e fitava Snape. Lágrimas saíam
de seus olhos e escorriam em seus cabelos. Snape olhou de volta pra ela, praticamente
impassível, enquanto ela girava para longe dele novamente.
- "Avada Kedavra"
Um flash de luz verde iluminou cada canto da sala. Charity caiu, com um barulho
ressoante, na mesa abaixo, que rachou e quebrou. Vários dos Comensais da Morte
pularam para trás em suas cadeiras, Draco caiu da sua própria cadeira e foi para o chão.
- "Jantar Nadgini" disse Voldemort suavemente, e a grande cobra rastejou de seus
ombros em direção ao chão de madeira polido.

CAPÍTULO 02 - IN MEMORIAN

CAPÍTULO 02 - IN MEMORIAN

Harry estava sangrando, segurando firmemente sua mão direita com a esquerda,
ofegante, ele abriu a porta de seu quarto com um encontrão. Houve um barulho de louça
se quebrando; Ele tropeçou numa xícara de chá fria que esteve parada no chão do lado
de fora da porta de seu quarto.
- "Que m...?"
Ele olhou à sua volta, o número quatro da Rua dos Alfeneiros estava deserto.
Provavelmente a xícara de chá era a idéia de Duda de uma armadilha inteligente.
Mantendo a sua mão que sangrava elevada, Harry juntou os pedaços de xícara quebrada
com a outra mão e os lançou no lixo já cheio que havia dentro de seu quarto. Então ele foi
em direção ao banheiro e colocou seu dedo na torneira.
Era estúpido, irritante além do que se pode imaginar que ele ainda teria quatro dias em
que teria problemas para lançar magias... mas ele tinha que admitir que esse corte
profundo em seu dedo teria o derrotado. Ele nunca havia aprendido como curar
ferimentos, e agora que pensava nisso - particularmente tendo em vista seus planos
imediatos - isso parecia ser uma séria falha em sua educação mágica. Fez uma nota
mental para perguntar à Hermione como se fazia, ele usou um grande chumaço de papel
higiênico para absorver o máximo de chá que ele conseguiu, antes de retornar ao seu
quarto e bater a porta atrás dele.
Harry havia passado a manhã na tarefa de esvaziar seu baú da escola pela primeira vez
desde que ele tinha o arrumado seis anos antes, entre os anos anteriores, ele apenas
havia remexido no topo de seus pertences e substituído ou melhorado eles, deixando uma
camada de coisas sem utilidade no fundo - penas velhas, olhos dissecados de besouros,
e meias sem par que não mais o serviam. Minutos antes, Harry havia mergulhado sua
mão nessas coisas, sentiu uma dor lancinante no dedo anelar de sua mão direita, e ao
retirá-lo viu que estava sangrando muito.
Agora ele prosseguia com mais cuidado, ajoelhando-se ao lado do baú novamente,
apalpou o fundo, achando um velho broche que trocava a frase que mostrava, ora
dizendo APÓIE CECDRICO DIGGORY, ora dizendo POTTER FEDE, um velho que
quebrado Bisbilhoscópio, e um medalhão dourado dentro do qual um bilhete assinado por
R.A.B esteve escondido, ele finalmente descobriu o objeto pontudo que produziu o dano.
Ele reconheceu-o como um pedaço de 5 centímetros do espelho encantado que o seu
padrinho morto, Sirius, havia dado para ele. Harry colocou-o de lado e cuidadosamente
vasculhou o baú a procura do resto, mas nada mais restava do último presente de seu
padrinho, exceto vidro em pó que se agarravam firmemente às camadas mais profundas
como uma areia brilhante.
Harry se sentou e examinou o pedaço afiado com o qual ele havia se cortado, vendo nada
mais que seu próprio olho verde brilhante refletido de volta. Então ele colocou o fragmento
no topo do Profeta Diário daquela manhã, que continuava sem ser lido na cama, e tentou
suprimir a onda crescente de memórias amargar, as punhaladas de arrependimento e
saudosismo, que a descoberta do espelho quebrado havia causado, estando junto com o
resto do lixo no baú.
Ainda foi gasta mais uma hora para esvaziá-lo completamente, jogar fora os itens sem
utilidade, e distribuir o restante em pilhas de acordo com que ele iria necessitar de agora
em diante. Seus robes de escola e de quadribol, caldeirão, pergaminho, penas e a maioria
dos seus livros didáticos foram empilhados em um canto, para ser deixados para trás. Ele
imaginou o que seus tios fariam com eles, queimá-los na calada da noite, provavelmente,
como se fossem evidência de um crime horroroso. Suas roupas de trouxa, Capa da
Invisibilidade, kit de fazer poções, alguns livros, o álbum de fotografia que Hagrid uma vez
deu para ele, uma pilha de cartas e sua varinha foram recolocados em uma mochila
velha. Num bolso frontal onde o Mapa do Maroto e o medalhão com o bilhete assinado
por R.A.B, dentro dele. O medalhão ocupava esse lugar de honra não por ser valioso - no
senso comum ele era inútil - mas sim pela dificuldade que enfrentara para obtê-lo.
Isso deixou um monte considerável de jornal em sua escrivaninha ao lado de sua coruja
branca Edwiges: um para cada dia que Harry havia passado na Rua dos Alfeneiros neste
verão.
Ele se levantou do chão, se recompôs e se dirigiu para sua escrivaninha. Edwiges não se
movimentou assim que ele começoua folhear os jornais, jogando-os na pilha de lixo um
por um. A coruja estava adormecida, ou até mesmo fingindo, ela estava brava com Harry
sobre o limitado tempo que ela era permitida ficar fora de sua gaiola naquele momento.
À medida que se aproximava ao começo da pilha de jornais, Harry diminuiu o ritmo,
procurando por uma situação em particular que ele sabia ter acontecido pouco tempo
depois dele ter chegado na Rua dos Alfeneiros para o verão, ele se lembrava de haver
uma pequena menção acima da renúncia da professora para Estudo dos Trouxas em
Hogwarts. No final o encontrou. Virando para a página dez, ele se afundou na cadeira da
escrivaninha e releu o artigo pelo qual esteve procurando.
LEMBREM-SE DE ALVO DUMBLEDORE
Por Elphias Doge
Eu conheci Alvo Dumbleadore aos onze anos, em nosso primeiro dia em Hogwarts. Nossa
atração mútua se devia sem dúvidas pelo fato que ambos nos sentíamos como estranhos.
Eu havia contraído sífilis Draconiana logo antes de chegar à escola, e assim que não era
mais contagioso, a visão de mim esburacado e com um tom esverdeado não encorajava
muitos a se aproximarem de mim. No que o concernia, Alvo havia chegado em Hogwarts
sob o fardo de uma notoriedade indesejada. Praticamente um ano antes, seu pai,
Percival, foi condenado por um ataque selvagem e de conhecimento geral a três trouxas
jovens.
Alvo nunca tentou negar que seu pai (que estava condenado à morte em Azkaban) havia
cometido esse crime; pelo contrário, quando eu tomei coragem para perguntá-lo sobre
isso, ele me afirmou que sabia que seu pai era culpado. Além disso, Dumbledore se
recusava a falar sobre o ocorrido, apesar de muitos tentarem fazê-lo falar disso. Alguns,
além disso, estavam dispostos a endossar a atitude do pai de Alvo, e assumiam que ele
também odiava trouxas. Eles não podiam estar mais enganados. Assim como qualquer
um que conhecesse Alvo pode atestar, ele nunca revelou de maneira remota qualquer
tendência anti-trouxas, e além, seu determinado apoio aos direitos dos Trouxas renderam
muitos inimigos nos anos subseqüentes.
Em questão de meses, porém, a fama do próprio Alvo começou a se sobrepor aquela de
seu pai. Ao final do primeiro ano ele nunca mais seria conhecido como o filho do Odeia-
Trouxas, mas nada menos que o mais brilhante estudante já visto na escola. Aqueles de
nós que éramos privilegiados de ser seus amigos, nos beneficiamos do seu exemplo,
para não falar de sua ajuda e encorajamento, com o qual ele era sempre generoso. Ele
confessou para mim mais tarde na vida, que ele sabia desde aquela época que o seu
maior prazer se encontrava em lecionar.
Ele não apenas ganhou cada prêmio que a escola oferecia, como também mantinha
contato regular com os mais notáveis nomes do mundo da magia naqueles dias, incluindo
Nicolau Flamel, o celebrado alquimista, Bathilda Bagshot, a notável historiadora, e
Adalbert Wafflind, o teórico da magia. Muitos de seus trabalhos encontraram espaço em
publicações conhecidas como Transfiguração Hoje, Desafios nos Encantamentos e O
Prático Pocionista. A carreira futura de Dumbledore parecia ser meteórica, e a única
questão era quando ele iria se tornar Ministro da Magia. Apesar de ser dito algumas vezes
nos anos seguintes que ele estava quase aceitando o emprego, no entanto, ele nunca
teve ambições Ministeriais.
Três anos depois de começarmos Hogwarts o irmão de Alvo, Aberforth, chegou à escola.
Eles não eram parecidos; Aberforth nunca foi centro das atenções, e, ao contrário de Alvo,
preferia argumentar através do duelo em vez de utilizar a discussão racional. No entanto,
é errado sugerir, como alguns fazem, que os irmãos não eram amigos. Eles se
relacionavam tão confortavelmente como dois garotos tão diferentes podem fazer. Em
justiça à Aberforth, deve-se admitir que viver à sombra de Alvo não deve ter sido uma
experiência agradável. Sendo continuamente ofuscado era um risco ocupacional de ser
seu amigo, e não pode ter sido mais fácil como irmão.
Quando Alvo e eu deixamos Hogwarts, nós tinhas inteção de seguir o caminho tradicional
à época, visitando e observando bruxos estrangeiros, antes de de perseguirmos nossas
carreiras separadas. No entando, a tragédia interferiu. Na véspera de nossa viagem, a
mãe de Alvo, Kendra, morreu, tornando Alvo arrimo da família. Eu adiei minha partida o
suficiente para prestar minhas homenagens no funeral de Kendra, e então parti para o
que seria então uma jornada solitária. Com um irmão e uma irmã mais novos para tomar
conta, e com pouco dinheiro deixado para eles, não havia como Alvo me acompanhar.
Aquele foi o período das nossas vidas em que tivemos menos contato, eu escrevi para
Alvo, descrevendo, talvez insensivelmente, as maravilhas da minha jornada, como
quando quase não consegui escapar de quimeras na Grécia, assim como as experiências
do Egípcios alquimistas. As suas cartas me diziam pouco sobre seu dia-a-dia, que eu
imaginava ser frustrante e tediosa para um mago tão brilhante. Imerso em minhas
próprias experiências, foi com horror que eu ouvi, ao final do meu ano de viagens, que
mais uma tragédia atingiu Dumbledore: a morte de sua irmã, Ariana.
Apesar de Ariana ter estado em má saúde por muito tempo, a temporada após a morte de
sua mãe, teve um profundo efeito em ambos irmãos. Os mais próximos de Alvo - e eu me
incluo como um sortudo nesse meio - concordam que os sentimentos de responsabilidade
de Alvo pela morte de Ariana (apesar de obviamente ele não ter culpa nenhuma),
deixaram sua marca nele para sempre.
Eu voltei para casa e encontrei um jovem rapaz que tinha experimentado o sofrimento de
uma pessoa muito mais velha, Alvo estava mais reservado que antes, e com o coração
muito menos brilhante. Em adição à sua miséria, a perda de Ariana levou, não à uma
reaproximação entre Alvo e Aberforth, mas para um estranhamento.(Em tempo isso iria
mudar - anos mais tarde eles reestabeleceram se não uma relação próxima, cordial ao
menos.) No entando, ele raramente falava de seus pais ou de Ariana a partir daquela
época, e seus amigos aprenderam a não mencioná-los.
Outras penas vão descrever os triunfos dos anos seguites. As inúmeras contribuições de
Dumbledore para o conhecimento Bruxo, incluindo a descoberta dos 12 usos de sangue
de dragão, que beneficiarão as gerações por vir, assim como a sua sabedoria que ele
demonstrou nos váriso julgamentos que fez quando Chefe Bruxo do "Wizengamot". Ainda
se diz, que nenhum duelo bruxo se comparou àquele entre Dumbledore e Grindelwald em
1945. Aqueles que testemunharam, escreveram do terror e respeito que sentiram ao
observar esses dois extraordinários bruxos duelarem. O triunfo de Dumbledore e suas
consequências para o mundo da magia, são considerados um ponto de mudança na
história mágica, comparável à introdução do Estatuto Internacional de Segredo ou à
queda d'Aquele-que-não-deve-ser-nomeado.
Alvo Dumbledore nunca foi orgulhoso ou vaidoso, ele podia encontrar algo a se valorizar
em qualquer um, no entanto aparentemente insignificante e cabisbaixa, e eu acredito que
suas perdas iniciais o beneficiaram com uma grande humanidade e simpatia. I vou sentir
a falta de sua amizade mais do que eu posso falar, mas minha perda não é nada
comparada com a perda do mundo da magia. Que ele era o mais inspirador e mais
amado de todos os diretores de Hogwarts não se pode questionar. Ele morreu enquanto
vivia: trabalhando sempre para um bem maior, e como sempre, disposto a estender a mão
para um garotinho com sífilis Draconiana como ele estava no dia em que o conheceu.
Harry terminou de ler mas continuou a observar a figura que acompanhava o obituário.
Dumbledore estava com o seu familiar e gentil sorriso, mas ao olhar por cima de seus
oclinhos de meia-lua, ele deu a impressão, até mesmo em uma foto, de olhar através de
Harry, cuja tristeza se fundia com um senso de humilhação. Ele pensou que conhecia
Dumbledore bem, mas desde que leu esse obituário ele foi forçado a reconhecer que ele
mal o conhecia na verdade.
Nunca havia antes imaginado a infância ou a juventude de Dumbledore, era como se ele
apenas houvesse existido como Harry o conheceu, respeitável, de cabelos pratas e velho.
A idéia de um Dumbledore adolescente era simplesmente estranha, como tentar imaginar
uma Hermione estúpida ou um Explosivim amigável.
Ele nunca havia imaginado perguntar à Dumbledore sobre o seu passado. Sem dúvida
pareceria estranho, até mesmo impertinente, mas em verdade, era de conhecimento geral
que Dumbledore participou daquele duelo lendário com Grindelwald, e Harry não havia
pensando em perguntar a Dumbledore como foi que aconteceu, e nem sobre qualquer
outra de suas conquistas famosas. Não, eles haviam sempre discutido Harry, o passado
de Harry, o futuro de Harry, os planos de Harry... e parecia agora que, apesar de seu
futuro ser tão
perigoso e incerto, que ele havia perdido oportunidades únicas quando ele falhou em
perguntar a Dumbledore mais sobre ele, mesmo sabendo que a única pergunta pessoal
que ele havia perguntado ao seu diretor, foi a única que ele suspeitava que Dumbledore
não respondeu honestamente.
- "O que você vê quando você olha no espelho?"
- "Eu me vejo segurando um par de grossas meias de lã."
Depois de pensar demoradamente, Harry rasgou o obituário fora do Profeta, dobrou-o
cuidadosamente, e o enfiou dentro do primeiro volume de Defesa Mágica Prática e Em
Uso
Contra as Artes Negras. Então ele jogou o resto do jornal na pilha de lixo e virou-se para
encarar a sala. Estava muito mais arrumada. As únicas coisas que continuavam fora do
lugar era o Profeta Diário do dia, ainda em cima da cama, e em cima dele o pedaço de
espelho quebrado.
Harry andou através da sala, afastou o fragmento de espelho do Profeta Diário do dia e
desdobrou o jornal. Ele tinha apenas olhado a manchete quando ele retirou o jornal
enrolado do correio coruja naquela manhã e jogou-o de lado, depois de constatar que não
falava nada sobre Voldemort. Harry tinha certeza que o Ministério estava pressionando o
Profeta para suprimir notícias sobre Voldemort. E apenas naquele momento, entretanto,
que ele viu o que havia deixado passar...
Na extensão da metade inferior da capa do jornal, uma pequena manchete pairava acima
de uma pequena foto de Dumbledore que caminhava parecendo estar com pressa.
DUMBLEDORE - A VERDADE ATÉ QUE ENFIM
A ser lançada semana que vem, a história chocante do gênio imperfeito que é
considerado por muitos como o maior Bruxo de sua geração. Desfazendo-se dessa sua
popular imagem serena, sabedoria de barba prateada, Rita Skeeter revela a infância
conturbada, a juventude transviada, os desafetos vitalícios e os segredos culposos que
Dumbledore levou para sua tumba. POR QUÊ o homem cotado para ser Ministro da
Magia se contentou em permanecer como diretor? QUAL era o real propósito da
organização secreta conhecida como a Ordem da Fênix? COMO foi que Dumbledore
encontrou seu fim?As respostas para essas e outras questões são exploradas na
explosiva nova biografia A Vida e as Mentiras de Alvo Dumbledore, por Rita Skeeter,
entrevistada exclusivamente por Betty Braithwaite, na página 13 interna.
Harry abriu o o jornal e achou a página 13. O artigo era encabeçado por uma foto
mostrando outro rosto familiar; uma mulher usando óculos com gemas com cabelos
encaracolados, seus dentes cerrados naquilo que claramente era pra ser um sorriso de
vitória, apontando seus dedos para ele. Fazendo o melhor possível para ignorar essa
imagem nauseante, Harry continuou a ler.
Pessoalmente, Rita Skeeter é muito mais calorosa e suave que os seus famosos retratos
de pena sugerem. Cumprimentando-me no hall de sua aconchegante residência, ela me
leva diretamente para a cozinha para uma xícara de chá, uma fatia de bolo inglês e
começamos a falar das últimas fofocas.
" Bem, obviamente, Dumbledore é o sonho de qualquer biógrafo," diz Skeeter. "Uma vinda
longa e ocupada. Tenho certeza que meu livro será o primeiro de uma série de
muitos."Skeeter certamente estava a postos. Seu livro de 900 páginas foi terminado
apenas 4 semanas depois da misteriosa morte de Dumbledore em Junho. Eu a questionei
sobre como ela gerenciou essa obra super rápida. "Oh, quando você já foi uma jornalista
por tanto tempo como eu fui, trabalhar com prazos curtos se torna natural. I sabia que o
mundo da Magia estava clamando pela história completa e eu queria ser a primeira a
contemplar essa necessidade."
Eu menciono a recente, amplamente publicada declaração de Elphias Doge, Consultor
Especial para o "Wizengamot" e amigo de longa data de Alvo Dumbledore, de que "O livro
de Skeeter contém menos verdades que uma carta de um sapo de chocolate."Skeeter
curva sua cabeça para trás e ri.
" Querido Dodgy! Eu me lembro de entrevistá-lo alguns anos atrás sobre os direitos dos
sereianos, Deus o abençoe. Completamente gagá, parecia estar pensando que
estávamos sentados no fundo do Lago Windermere, ficava me falando para tomar
cuidado com as trutas."
E as acusações de Elphias Doge de imprecisão já ecoaram em muitos lugares. Será que
Skeeter realmente sente que nossas quatro curtas semanas foram o suficiente para obter
uma visão geral e completa da vida longa e extraordinária de Dumbledore?
" Oh, minha querida" sorri Skeeter, envolvendo carinhosamente minhas falanges. "Você
sabe tão bem quanto eu quanta informação pode ser gerada por uma sacola gorda cheia
de Galeões, uma recusa de ouvir a palavra 'não' e uma bela e afiada Pena de Notas-
Rápidas! As pessoas estavam ansiosas por se livrar das sujeiras de Dumbledore de
qualquer maneira.
Não, é da mãe e da irmã que eu fico intrigada, e um pouco de insistência revelou um
ninho de histórias - mas, como eu disse, vocês terão que esperar pelos capítulos 9 ao 12
para detalhes completos. Tudo o que eu posso falar agora é que eu entendo porquê
Dumbledore nunca falou como quebrou o nariz."Deixando os podres familiares de lado,
será que Skeeter nega o brilhantismo que levou Dumbledore à muitas de suas
descobertas mágicas?
" Ele era um crânio", ela concorda, "apesar de que agora muitos se questionam se ele
pode levar todo o crédito por todas as suas supostas conquistas. Como eu revelo no
capítulo 16, Ivor Dillonsby diz que já havia descoberto oito usos do sangue de dragão
antes de Dumbledore 'emprestar' seu trabalho." Mas a importância de alguns dos feitos de
Dumbledore, não podem, eu me arrisco a dizer, ser negados. E sobre a sua famosa vitória
sobre o bruxo Grindelwald?
" Oh, agora eu estou grata de você ter mencionado Grindelwald," diz Skeeter com um
sorriso tentador "Eu receio que aqueles que acreditam cegamente na vitória espetacular
de Dumbledore devem se preparar para uma bomba - quem sabe uma bomba de bosta.
Negócios muito sujos. Tudo que irei falar é que não tenham absoluta certeza que houve
mesmo um duelo lendário. Depois de terem lido meu livro, as pessoas podem ser
forçadas a concluir que Grindelwald simplesmente conjurou um guardanapo branco da
ponta de sua varinha e ficou quieto!"
Skeeter se recusa a revelar qualquer coisas mais nesse assunto intrigante, então nos
direcionamos para a relação que irá fascinar seus leitores mais do que qualquer outra.
“ Oh, sim" disse Skeeter, consentindo rapidamente, "Eu dediquei um capítulo inteiro para
toda a relação Potter-Dumbledore. Ela tem sido chamada de insalubre, até mesmo
sinistra. Mais uma vez, seus leitores terão que comprar meu livro para ter acesso à toda
história, mas não há dúvida de que Dumbledore interessou-se além do normal com Potter
pelo que se diz. Se era realmente para o interesse do garoto - bom, nós veremos. É
certamente um segredo conhecido de que Potter teve a mais conturbada das
adolescências.
Eu pergunto se Skeeter ainda está em contato com Harry Potter, a quem ela fez uma
entrevista famosa ano passado; uma consensuosa entrevista na qual Potter falou
exclusivamente sobre a sua convicção de que Você-Sabe-Quem teria voltado.
" Oh sim, nós desenvolvemos um elo próximo," diz Skeeter. "O pobre Potter tem poucos
amigos de verdade, e nós nos encontramos num dos momentos mais desafiadores de
sua vida - O Torneio Tribruxo. Eu sou provavelmente uma das poucas pessoas vivas que
pode dizer que conhece o verdadeiro Harry Potter."
O que nos leva diretamente aos vários rumores que ainda circulam sobre as últimas horas
de Dumbledore. Será que Skeeter acredita que Potter esteve lá quando Dumbledore
morreu?
" Bom, eu não quero falar demais - está tudo no livro - mas testemunhas oculares dentro
do castelo de Hogwarts viram Potter sair correndo da cena momentos depois que
Dumbledore caiu, pulou ou foi empurrado. Potter mais tarde deu evidências contra Severo
Snape, um grande desafeto de Potter. Será tudo o que parece? Cabe à comunidade
bruxa decidir - assim que eles lerem meu livro."
Com essa intrigante deixa, eu me retirei. Não há dúvidas que Skeeter escreveu um bestseller
instantâneo. As legiões de adoradores de Dumbledore, podem também estar
tremendo, sobre o que está próximo de ser revelado sobre o seu herói.
Harry sentou bruscamente na cama. O pedaço quebrado de espelho saiu voando para
longe dele, ele o pegou e ficou girando em seus dedos, pensando em Dumbledore e nas
mentiras com as quais Rita Skeeter o estava difamando...
Um clarão do mais brilhante azul. Harry congelou. Seu dedo machucado passando na
ponta afiada do espelho novamente. Ele havia imaginado isso, ele deve ter imaginado.
Ele olhou por cima de seu ombro, mas a parede era da cor pêssego que a Tia Petúnia
havia escolhido. Não havia nada azul aqui que o espelho pudesse refletir. Ele olhou
dentro do fragmento de espelho novamente e não viu nada, além do seu próprio olho
verde olhando em resposta pra ele.
Ele havia imaginado isso, não havia outra explicação, porquê ele esteve pensando no seu
falecido diretor. Se alguma coisa era certa, era que os olhos azuis brilhantes de Alvo
Dumbledore nunca mais o penetrariam com seu olhar.

CAPÍTULO 03 - A PARTIDA DOS DURSLEY

CAPÍTULO 03 - A PARTIDA DOS DURSLEY

O som da porta da frente batendo ecoou escadaria acima e uma voz bradou, "Oh! Você!"
Dezesseis anos sendo chamado assim deixaram Harry com a certeza de que quando seu
tio chamava, nunca, ele respondia imediatamente. Ele ainda estava pensando na
pequena lembrança que, por um segundo, ele pensou que viu o olho de Dumbledore. Não
era até seu tio acrescentar, "GAROTO!", que Harry saiu vagarosamente da cama e se
dirigiu para a porta do quarto, parando para colocar o pedaço do espelho quebrado na
mochila cheia de coisas que ele levaria consigo.
" Você perde seu tempo!" gritou Tio Valter quando Harry apareceu no topo da escadaria.
"Venha aqui embaixo agora. Quero falar com você!"
Harry desceu as escadas, suas mãos enfiadas nos bolsos da calça. Quando ele olhou na
sala-de-estar lá estavam os três Dursleys. Eles estavam prontos para a partida; Tio Valter
em uma velha e surrada jaqueta e Duda, o grande, loiro e musculoso primo de Harry, em
uma jaqueta de couro.
" Sim?" perguntou Harry.
" Sente-se!", disse Tio Valter. Harry levantou suas sobrancelhas. "Por favor!", adicionou
Tio Valter, se retraindo enquanto a palavra estava afiada em sua garganta. Harry se
sentou. Ele pensou saber o que estava por vir. Seu tio começou a andar pra cima e pra
baixo. Tia Petúnia e Duda seguindo seus movimentos com expressões ansiosas.
Finalmente, sua grande cara púrpura se fechou em concentração. Tio Valter parou em
frente à Harry e disse. "Eu mudei de opinião", ele disse. "Que surpresa", disse Harry. "Não
ouse usar esse tom", começou Tia Petúnia!
" Eu estive acordado a noite toda pensando, e acredito que seja uma trama para
conseguir a casa." "A casa?" repetiu Harry. "Que casa?"
" ESSA casa!" gritou Valter, a veia em sua fronte começando a pulsar. "NOSSA casa! Os
preços das casas estão nas alturas por aqui! Você nos quer fora do caminho, e então
você fará essa sua coisa de hocu-pocus e antes de percebermos você colocará a casa
em seu nome "Você está fora de si?" perguntou Harry. "Uma trama para pegar esta casa?
Você é realmente tão estúpido quanto parece? "Não se atreva!" gritou Tia Petúnia, mas
outra vez, Valter a acalmou: Desconsiderando sua aparência aqui, ao que pareceu, não
era nada como o perigo que ele esperava. "Somente no caso de você ter esquecido,"
disse Harry, "Eu já tenho uma casa, meu padrinho me deixou uma. Então por que eu
quereria esta? Todas as lembranças felizes?" Houve silêncio. Harry pensou que devia ter
impressionado seu tio com seu argumento. "Você diz," disse Tio Valter, , começando a
caminhar novamente, "que essa coisa de Lord..."
" ...Voldemort," disse Harry impaciente, "e nós falamos disso centenas de vezes. Isso não
sou eu dizendo, é fato. Dumbledore lhe disse ano passado, e Kingsley e Mr. Weasley..."
Valter Dursley arqueou seus cotovelos com raiva, e Harry pensou que seu tio estava
tentando esquecer a coleção de visitas não anunciadas, alguns dias nas férias de verão
de Harry, de dois bruxos crescidos. A chegada de Kingsley Schakelbot e Arthur Weasley
veio como o mais desagradável choque para os Dursleys. Harry teve que admitir que Mr.
Weasley uma vez havia demolido metade da sala de estar, seu retorno não poderia ser
esperado como um prazer para Tio Valter.
" Kingsley e o Sr. Weasley explicaram tudo também," Harry disse remorsamente, "Quando
eu tiver dezessete, o feitiço de proteção que me mantém a salvo vai se quebrar, e isso
expõe vocês tato quanto a mim. A Ordem está certa de que Voldemort virá até vocês, para
torturá-los para tentar me encontrar ou achando que se te sequestrarem eu viria e tentaria
resgatá-los."
Os olhos dos dois se encontraram. Harry estava certo de que no momento eles estavam
pensando a mesma coisa. Então Tio Valter caminhou até Harry e este disse, "Você tem
que se esconder e a Ordem quer ajudar. Eles estão oferecendo proteção séria, a melhor
que há."
Tio Valter não disse nada, mas continuou a caminhar pra cima e pra baixo. Lá fora o sol
se abaixou sobre os telhados. O regador de grama do vizinho estalou novamente.
" Então, por que eles não podem nos proteger? Me parece que, como vítimas inocentes,
culpados de nada além de acolher um homem marcado, nós devemos nos qualificar para
proteção governamental!"
Harry riu, ele não podia se segurar. Era tão típico de seu tio colocar as esperanças em
algum órgão, mesmo dentro desse mundo que ele não gostava nem confiava.
" Você ouviu o que o Sr. Weasley e Kingsley disseram," Harry respondeu. "Nós achamos
que o ministério foi infiltrado."
Tio Valter foi caminhou até a lareira e voltou, respirando tão pausadamente que seu
bigode preto ondulava, sua face ainda púrpura de concentração.
" Tudo bem," ele disse, parando em frente a Harry outra vez. "Tudo bem, vamos dizer,
pelo bem da argumentação, que aceitemos essa proteção. Eu ainda não entendo porquê
não podemos ter aquele Kingsley."
Harry tentou não rolar seus olhos pro alto, mas com dificuldade. Esse tópico também já
havia sido discutido uma dúzia de vezes.
" Como eu te falei," ele disse entre dentes cerrados, "Kingsley está protegendo o trou...
Quero dizer, seu Primeiro Ministro."
" Exato... Ele é o melhor!" disse Tio Valter, apontando para a tela de tv em branco. Os
Dursleys haviam visto Kingsley no noticiário, caminhando discretamente junto ao Primeiro
Ministro dos Trouxas enquanto este visitava um hospital. Isto, e o fato de que Kingsley
havia se tornado mestre em se vestir como um trouxa, sem mencionar uma certa
entonação em sua profunda voz, fez com que os Dursley tratassem Kingsley como sem
dúvida jamais trataram qualquer bruxo, mesmo que seja verdade que eles nunca o viram
com seu brinco.
" Bom, ele está ocupado," disse Harry. "Mas Hestia Jones e Dedalus Diggle são muito
melhores pro trabalho..."
" Se nós tivéssemos visto mais CVs..." começou Tio Valter, mas Harry perdera a
paciência. Se levantando, ele avançou contra o tio, agora apontando para a tv ele mesmo.
Tudo bem, tudo bem" interrompeu Vernom Dursley. "Você tem razão..."
" Eu espero que sim," disse Harry, "porque assim que eu tiver dezessete, todos eles,
Comensais da Morte, Dementadores, talvez até Inferi - que significa corpos mortos
encantados por um bruxo maligno - estarão livres para encontrar você e certamente te
atacar. E se você se lembra a última vez que tentou ganhar de um bruxo, eu acho que
você concordaria que precisa de ajuda."
Houve um breve silêncio no qual na distante lembrança de Hagrid esmagando uma porta
de maneira pareceu atravessar os anos. Tia Petúnia estava olhando para Valter, Duda
estava fitando Harry. Finalmente Tio Valter disse "Mas e quanto a meu trabalho? E quanto
a escola de Duda? Eu não acho que essas coisas importem para um punhado de bruxos
sem teto..."
" Você não entende?" disse Harry. "Eles irão te torturar e matar como fizeram aos meus
pais!"
" Pai," disse Duda em voz alta, "Pai... Eu vou com essas pessoas da Ordem."
" Duda," disse Harry, "pela primeira vez na sua vida, você está sendo racional."
Ele sabia que a batalha estava vencida. Se Duda estava amedrontado o suficiente para
aceitar ajuda da Ordem, seus pais o acompanhariam. Não haveria questionamentos sobre
serem separados de seus lares. Harry checou o relógio de parede.
" Eles estarão aqui em cerca de cinco minutos," ele disse, e quando mais de um dos
Dursley respondeu, ele deixou a sala. A prosperidade de se separar - provavelmente pra
sempre - de sua tia, tio e primo era algo que ele podia contemplar alegremente, mas
certamente havia algo estranho no ar. O que você diz a alguém após dezesseis anos de
desgosto sólido?
De volta ao seu quarto, Harry tateou sem rumo com sua mochila, depois despejou
algumas sementes de coruja aos arredores da gaiola de Hedwig. Eles caíram na parte de
baixo, onde ela os ignorou.
" Nós vamos sair logo," Harry disse a ela. "E então você poderá voar novamente."A
campainha tocou. Harry hesitou, então saiu de seu quarto e desceu as escadas.
Era demais esperar que Hestia e Dédalus cooperassem com os Dursley sozinhos.
" Harry Potter!" gritou uma voz excitada, no momento em que Harry abriu a porta. Um
pequeno homem de cartola estava lhe fazendo uma profunda reverência. "Uma honra,
como sempre!"
" Obrigado, Dedalus" disse Harry, dirigindo um pequeno e embaraçado sorriso à Hestia,
de cabelos negros. "É muito legal da sua parte fazer isso... Eles estão por aqui, minha tia,
meu tio e meu primo..."
" Bom dia pra você, parentes do Harry Potter!" disse Dedalus, alegremente, adentrando a
sala de estar. Os Dursley não pareceram felizes pelo adereçamento; Metade de Harry
esperava outra mudança de opinião. Duda foi-se pra perto de sua mãe ao sinal dos
bruxos.
" Eu vejo que vocês estão prontos. Excelente! O plano, como Harry te disse, é bem
simples," disse Dedalus, puxando um imenso relógio de bolso fora de seu casaco e o
examinando. "Nós devemos partir antes de Harry. Devido ao perigo em usar mágica em
sua casa - Harry ainda é menor de idade, poderia dar ao ministério uma desculpa pra
prendê-lo - nós devemos dirigir umas dez milhas ou mais, antes de desaparatar no local
seguro que nós escolhemos pra vocês. Você sabe dirigir, eu presumo?" ele perguntou ao
Tio Valter, polidamente.
" Se eu sei...? É claro que eu sei dirigir!" disse Tio Vernon.
" Muito bom da sua parte, senhor, muito bom. Eu pessoalmente ficaria confuso com todos
aqueles botões e alavancas," disse Dedalus. Ele estava claramente sob a impressão de
que estava envergonhando Tio Valter, e este estava visivelmente perdendo a confiança no
plano a cada palavra que Dedalus dizia.
" Não sabe nem ao menos dirigir," ele sussurrou, seu bigode ondulando indignadamente,
mas felizmente nem Dedalus ou Hestia pareciam conseguir ouví-lo.
" Você, Harry," Dedalus continuou, "você espera qui por sua guarda. Houve uma pequena
mudança nos arranjos..."
" O que você quer dizer?" disse Harry na hora. "Eu pensei que Olho-Tonto viria e me
levaria por Aparatação?"
" Não vai dar," disse Héstia. "Olho-Tonto explicará.
Os Dursley, que estavam ouvindo tudo isso com olhares de preocupada incompreensão
em suas faces, se assustaram quando uma voz alta gritou "Apressem-se!" Harry olhou na
sala inteira antes de perceber que a voz vira do relógio de bolso de Dedalus.
" Bem certo, nós estamos com um horário bem apertado" disse Dedalus, olhando em seu
relógio e o colocando de volta em seu casaco. "Nós estamos tentando temporizar sua
saída da casa com a Desaparatação de sua família, Harry, além do que, o encanto se
quebra no momento em que todos estiverem indo para locais seguros." Ele se virou pros
Dursley. "Então, todos prontos pra ir?"
Nenhum deles o respondeu. Tio Valter ainda estava fitando, pálido, o volume no bolso do
casado de Dedalus.
" Talvez nós devêssemos esperar no Hall, Dedalus," murmurou Hestia. Ela claramente
sentiu que seria falta de tato da parte deles ficar na sala enquanto Harry e os Dursley
trocavam amorosos e possivelmente chorosos adeus.
" Não há necessidade," Harry disse, mas Tio Valter fez de qualquer explicação
desnecessária dizendo alto, "Bom, acho que isto é um adeus, garoto."
Ele levou seu braço direito à frente para apertar a mão de Harry, mas no momento final
pareceu incapaz de fazê-lo, e meramente fechou seu punho e começou a balançá-lo pra
frente e pra trás como um metrônomo.
" Pronto, Dudinha?" perguntou Tia Petúnia, evitando olhar pra Harry.
Duda não respondeu, mas permaneceu no lugar com sua boca meio aberta, lembrando a
Harry um pouco do gigante Grope.
" Venha, então," disse Tio Valter.
Ele já havia chegado à sala de estar quando Duda murmurou, "Eu não entendo."
" Por quê ele não está vindo conosco?
Tio Valter e Tia Petúnia pararam onde estavam, fitando Duda como se ele tivesse dito que
queria se tornar uma bailarina.
" O que?" Tio Valter disse alto.
" Por que ele não está vindo também?" perguntou Duda.
" Bom, ele... ele não quer," disse Tio Valter, virando parar olhar pra Harry e adicionando,
"Você não quer, quer?"
" Nem um pouco," disse Harry.
" Viu?" Tio Valter disse a Duda, "Agora venha, estamos indo."
Ele atravessou a sala. Eles ouviram a porta da frente abrir, mas Duda não se moveu após
alguns pequenos passos. Petúnia parou também.
" O que agora?" rosnou tio Valter, parado na porta.
Parecia que Duda estava lutando com um conceito muito difícil para se descrever com
palavras. Após vários momentos de aparente luta interna dolorosa ele disse, "Mas pra
onde ele está indo?"
Tia Petúnia e Tio Valter olharam um pro outro. Estava claro que Duda os estava
assustando. Hestia Jones quebrou o silêncio.
" Mas... você com certeza sabe pra onde seu primo está indo?" ela perguntou, parecendo
confusa.
" Claro que sabemos," disse Vernon. "Ele está saindo com gente da sua laia, não está?
Claro, Duda, vamos indo pro carro, você ouviu o homem, estamos com pressa."
Outra vez, Vernon Dursley marchou o mais longe que pôde da porta da frente, mas Duda
não se moveu
" Saindo com gente da nossa laia?" Hestia parecia ofendida. Harry nunca vira essa atitude
antes. Bruxos e bruxas pareciam chocados com o fato de que os parentes mais próximos
dele tinham pouco interesse no famoso Harry Potter.
" Está tudo bem," Harry disse a ela. "Não importa, mesmo."
" Não importa?" repetiu Hestia, sua voz aumentando gradativamente. "Essas pessoas não
percebem pelo quê você passou? Em que tipo de perigo você está? A posição única em
que você se encontra no coração do movimento anti-Voldemort?"
" Errrr... não," disse Harry. "Eles acham que eu sou uma perda de espaço, mas eu estou
acostumado..."
" Eu não acho que você seja uma perda de espaço."
" Eu não acho que você seja uma perda de espaço."
Se Harry não tivesse visto os lábios de Duda mexerem, ele não teria acreditado. Ele fitou
Duda por bastante tempo antes de aceitar que fora seu primo que havia dito aquilo. Duda
estava vermelho. Harry estava embaraçado e chocado.
" Bem...eh...obrigado, Duda."
Outra vez Duda pareceu lutar contra seus pensamentos fortemente antes de dizer "Você
salvou minha vida."
" Na verdade não," disse Harry. "Era a sua alma que o dementador iria pegar..."
Ele olhou curiosamente para seu primo. Eles não tiveram basicamente nenhum contato
no último verão ou antes, desde que Harry voltara para Privet Drive tão cedo e ficara em
seu quarto tanto tempo. Agora pareceu a Harry, em contrapartida, de que o copo de chá
gelado em que ele se cortara não tinha sido uma brincadeira afinal... Apesar de meio
tocado, ele estava aliviado de que Duda parecia ter acabado com sua habilidade de
expressar seus sentimentos. Após abrir a boca uma ou duas vezes mais, Duda se rendeu
a um silêncio escarlate.
Tia Petúnia caiu em lágrimas. Hestia Jones deu a ela um olhar aprovador que mudou para
neutralidade quando Tia Petúnia coreu e abraçou Duda ao invés de Harry.
" Tão...doce...Dudinha..." ela suspirou em seu peito maciço.
"Um...garoto...tão...amável...d..dizendo obrihado..."
" Mas ele não disse obrigado!" disse Hestia Jones indignada, "Ele apenas falou que não
achava que Harry era um desperdício de espaço!"
" Sim, mas vindo de Duda isso é quase um 'Eu te amo,'" disse Harry, dividido entre
preocupação e uma vontade de rir enquanto Tia Petúnia se agarrava em Duda como se
este tivesse acabado de salvar Harry de um prédio em chamas.
" Nós estamos indo ou não?" rosnou Tio Vernon, reaparecendo outra vez na porta da sala
de estar. "Eu pensei que tivéssemos um horário apertado!"
" Sim, sim nós estamos..." disse Dedalus, que estava assistindo a essas trocas com um ar
de incredulidade e agora parecia se recompor. "Nós realmente precisamos partir, Harry..."
“ Até, Duda," disse Harry sob o olhar de censura de Tia Petúnia, "os dementadores
colocaram uma nova personalidade em você?"
" Não sei", murmurou Duda. "Te vejo por aí, Harry."
" Sim..." disse Harry, apertando a mão de Duda e a balançando. "Talvez. Se cuida,
Grande D."
Duda quase sorriu, então saiu da sala. Harry ouviu seus passos pesados saindo, e então
uma porta de carro bateu.
Tia Petúnia, cuja face estava enterrada em seu lenço, olhou em volta com o som. Ela não
parecia ter esperado ficar sozinha com Harry. Nojentamente guardando seu lenço em seu
bolso, ela disse "Bem...Adeus", e caminhou até a porta sem olhar pra ele.
" Adeus," disse Harry.
Ela parou e olhou pra trás. Por um momento, Harry teve o sentimento estranho de que ela
queria dizer algo a ele. Ela lhe deu um estranho, tremuloso olhar e pareceu parar na beira
da fala, mas então, com um pequeno aceno de cabeça, ela saiu a sala atrás de seu
marido e filho.

CAPÍTULO 04 - OS SETE POTTERS

CAPÍTULO 04 - OS SETE POTTERS

Harry correu de volta para seu quarto, chegando a janela no exato momento em que
pudera ver o carro dos Dursley partindo. Era visível o chapéu de Dedalus entre tia petúnia
e Duda no banco de trás. O carro virou à direita no fim de Privet Drive, suas janelas
brilharam por um momento durante aquele pôr do sol e então o carro já havia ido.
Harry pegou a gaiola de Hedwig, sua Firebolt e suas mochilas, deu uma ultima olhada em
seu quarto, e fez seu caminho de volta ao hall, onde ele deixou a gaiola, vassoura e
bagagem ao pé da escada. A luz estava se esvaindo mais rapidamente agora, o hall cheio
de sombras na luz do anoitecer. Houve o estranho sentimento de estar parado ali no
silencio e saber que ele estava para deixar a casa pela ultima vez. Há muito, quando ele
era deixado para trás sozinho enquanto os Dursleys saiam para curtir, as horas de solidão
eram raras. Parando somente para comer algo bom da frigideira, ele corria para cima para
jogar no computador de Duda ou assistir tv. Ele teve um súbito momento de felicidade ao
lembrar desses tempos, era como lembrar de algo precioso que ele havia perdido.
“ Você não quer dar uma ultima olhada neste lugar?” Ele perguntou. Hedwig, que
permanecia com a cabeça embaixo da asa. “Quero dizer, olhe só para isso. Que
memórias... Duda agradecer depois que eu o salvei dos dementadores... Mostra seu lado
grato depois de tudo, você pode acreditar?... E no ultimo verão, Dumbledore veio através
da porta da frente...”
Harry perdeu a linha de seus pensamentos por um instante e Hedwig não fez nada para
ajuda-lo, e sim, continuou com sua cabeça embaixo de sua asa. Harry voltou suas costas
para a porta da frente.
“ E bem aqui embaixo – Harry abriu a porta embaixo das escadas – era onde eu
costumava dormir! Você nunca me conheceu então – Droga, isto é pequeno, eu tinha me
esquecido...”
Harry olhou em volta os sapatos e sombrinhas empilhados, lembrando de como ele
costumava acordar todas as manhas, olhando para cima por dentro da escadaria, a qual
freqüentemente abrigava uma ou duas aranhas. Aqueles haviam sido os seus dias antes
dele saber qualquer coisa sobre sua verdadeira identidade; antes dele descobrir como
seus pais haviam sido mortos ou porque coisas estranhas sempre aconteciam a sua volta.
Mas Harry ainda conseguia lembrar dos sonhos que o perturbavam, até mesmo naquela
época; sonhos confusos envolvendo raios verdes, e uma vez – Tio Vernom quase bateu o
carro quando Harry contou – uma moto voadora.
Houve um repentino, ensurdecedor barulho vindo de algum lugar por perto.
Harry levantou-se bruscamente e bateu sua cabeça no topo da porta. Parando apenas
para utilizar alguns dos seletos palavrões de Tio Vernom, ele voltou para a cozinha,
enfiando a cabeça para fora da janela que dava para o jardim.
A escuridão parecia estar se agitando, o ar estava tremulo. Então, uma por uma, figuras
começaram a passar levemente a medida que suas magias de desilusionamento se
elevavam. Dominando a cena estava Hagrid, usando um capacete e óculos de proteção,
sentado em uma enorme motocicleta com um gato preto apegado a si. Em toda a sua
volta, outras pessoas estavam desmontando de suas vassouras, e, em dois casos,
cavalos esqueléticos pretos com asas.
Abrindo de mal jeito a porta dos fundos, Harry correu até o meio deles. Houve um choro
geral de cumprimento, enquanto Hermione jogou seus braços em volta dele, Ron deu um
tapinha em suas costas e Hagrid disse: “Tudo certo Harry? Pronto para irmos?”
“ Definitivamente,” disse Harry, olhando todos a sua volta “Mas eu não esperava tantos de
vocês!”
“ Mudança de planos” disse Olho-tonto, que estava segurando dois enormes sacos
cheios, e o qual o olho girava rapidamente, alternando entre Harry, a casa, o jardim e o
céu. “Vamos para um lugar coberto antes de falar disso com você”.
Harry guiou-os para a cozinha onde, rindo e batendo papo, assentados em cadeiras,
sentaram-se sobre as brilhantes superfícies de Tia Petúnia, ou recostaram-se contra seus
impecáveis aparelhos. Ron, Alto e Lanky; Hermione, seus cheios cabelos presos para trás
em uma longa trança; Fred e George, sorrindo idênticos; Bill, mal cicatrizado e com
cabelos longos; Sr. Weasley, Olho-tonto, Tonks, Lupin, Fleur, Kingsley, Hagrid, Fletcher
tava o pessoal todo lá. O coração de Harry parecia irradiando-se de felicidade. Ele sentiu
um inacreditável carinho por todos, até mesmo Mundungus, o qual ele tentou estrangular
na ultima vez que haviam se visto.
“ Kingsley, pensei que você estava cuidando do Primeiro Ministro” ele disse do outro lado
da sala.
“ Ele pode se virar sem mim por uma noite” disse Kingsley “Você é mais importante”.
“ Harry, adivinhe?!” Disse Tonks de seu lugar no alto da maquina de lavar, ela mostrou a
ele sua mão esquerda, um anel se encontrava la.
“ Você se casou?” Harry gritou, olhando de Lupin para ela.
“ Ok, ok, nós teremos tempo para uma conversa agradável depois” Disse Moody, e o
silêncio reinou sobre a cozinha.
Moody pos seus sacos a seus pés e se voltou para Harry.
“Assim como Dedalus provavelmente te contou, nós abandonamos o plano A. Thicknesse
se foi, o que nos trás um grande problema”.
“ Segundo problema, você é menor de idade, o que significa que você ainda tem o Trace
sobre você.”
“ Eu não...“
“ O Trace, o Trace!” disse Olho-tonto impacientemente “o encanto que detecta atividades
mágicas praticadas por menores, o jeito do Ministério encontrar menores infratores! Se
você, ou qualquer um aqui, utilizar uma magia para transportar você, Thicknesse irá saber
disso, e junto com ela os Comensais da Morte.”
“ Nós não podemos esperar o Trace ser quebrado, porque no momento em que você
atingir a maior idade, você perderá toda a proteção que sua mãe lhe deu. Resumindo:
Thicknesse pensa que encurralou-te.”
Harry não podia ajudar, apenas concordar com a desconhecida Thicknesse.
“ Então o que faremos?”
” Nós iremos usar o único método que nos restou, o único método que o Trace não pode
detectar pois não dependemos de magia para utiliza-lo: Vassouras, testrálios, e a moto de
Hagrid.”
Harry podia ver defeitos naquele plano, contudo, ele segurou sua língua para dar a Olho-
Tonto a chance de continuar:
“ Agora, o feitiço de sua mãe somente irá quebrar sobre 2 condições: quando você atingir
a idade, ou...” – Moody gesticulou ao redor da impecável cozinha – “Você não mais
chame este lugar de casa. Você, sua tia e seu tio terão os caminhos separados esta noite,
em total entendimento que jamais verão um ao outro novamente, certo?”
Harry concordou.
” Então dessa vez, não haverá volta, e o encanto se quebrará assim que você sair do raio
de visão. Nós escolhemos quebrá-la mais cedo, pois a única alternativa é esperar por
Você-Sabe-Quem vir e te matar quando completar 17 anos”
“ O que nós temos ao nosso favor é que Você-Sabe-Quem não sabe que estamos te
transportando esta noite. Nós deixamos escapar uma falsa pista para o ministério: Eles
acham que você não sairá até que o encanto seja desfeito. Contudo, estamos lidando
com Você-Sabe-Quem, então nós não podemos contar com que ele realmente saiba a
data errada. Ele provavelmente tem os Comensais Da Morte patrulhando os céus em toda
essa área, só para o caso. Então, nós providenciamos para uma dúzia de casas
diferentes toda a proteção que poderíamos. Todas elas parecem possíveis lugares os
quais usaríamos para te esconder, todas tem alguma ligação com a Ordem; minha casa, a
casa de Kingsley, Molly – você pegou a idéia”
“ Sim.” Disse Harry, não totalmente confiante, pois ele podia ver um grande buraco
naquele plano.
“ Nós iremos para a casa dos pais da Tonks. Uma vez que é a casa mais preparada para
nos receber e devido aos encantamentos de proteção que lá jogamos, você poderá
utilizar uma chave de portal até o Burrow. Perguntas?”
” Err – Sim” Disse Harry “Talvez eles não saibam a qual das 12 protegidas casas eu estou
indo primeiro, porém não ficará óbvio?” – contou rapidamente – “14 de nós indo em
direção a casa dos pais de Tonks?”
“ Ah!”- disse Moody - “Eu me esqueci de dizer o ponto-chave. Quatorze de nós não
estarão voando para a casa dos pais de Tonks. Irão haver sete Harry Potters voando
através dos céus hoje a noite, cada um deles com um companheiro, cada par indo para
uma casa diferente”
De dentro de sua capa Moody agora retirou uma garrafa do que parecia lama. Não havia
motivos para ele dizer qualquer outra palavra; Harry havia entendido todo o plano
imediatamente.
“ Não” - Ele disse de forma audível, sua voz ecoando pela cozinha - “Corta essa!”
“ Eu disse a eles que você reagiria dessa forma” disse Hermione.
“ Se vocês pensam que eu deixarei 6 pessoas se arriscarem dessa forma...“
“ Não é a primeira vez para nenhum de nós” - disse Ron.
“ Dessa vez é diferente, fingindo ser eu...“
“ Bem, nenhum de nós deseja isso Harry.” Disse Fred “Imagina se algo dá errado e
ficamos pra sempre com a sua cara.”
Harry não riu.
“ Vocês não podem fazer isso sem minha cooperação, vocês precisam de mim para lhes
dar algum cabelo”
“ Exatamente, não tem como nós continuarmos com o plano sem você cooperar”
disse George.
“ Sim! Treze de nós contra um cara que não pode usar magia; você não tem nenhuma
chance” - disse Fred.
“ Engraçado” - disse Harry - “Muito engraçado”
“ Todos aqui são maiores de idade, Potter, e estão todos dispostos a se arriscar”
Mundungus deu de ombros e fez careta; O Olho mágico de Moody logo o fitou.
“ Não vamos mais discutir. O tempo está passando. Eu quero um pouco de teu cabelo,
garoto, agora!”
“ Mas isso é ruim, não há necessidade...“
“ Não há necessidade” enfatizou Moody “Com Você-Sabe-Quem lá fora e metade do
Ministério ao seu lado? Potter, se tivermos sorte, ele terá engolido a falsa pista e estará
planejando te pegar somente em seu aniversário, mas ele provavelmente tem um ou dois
comensais te vigiando, é o que eu faria. Eles podem não ter sido capazes de pegar-te ou
a esta casa enquanto o encantamento de sua mãe ainda existe, mas é só ele se quebrar
e eles terão posse desse lugar. Nossa única chance é usar estes chamarizes. Até mesmo
Você-sabe-quem não pode se dividir em sete”.
Harry encontrou o olhar de Hermione e o desviou logo após.
“ Então Potter – Um pouco de teu cabelo, por favor”
Harry olhou para Ron de relance, este sinalizou um “apenas-o-faça”.
“ Agora” irritou-se Moody.
Com todos o observando, Harry estendeu sua mão até sua cabeça, agarrou um punhado
de cabelo, e puxou.
“Ó timo” disse Moody, pegando o vidro de poção
“ Logo aqui, por favor”
Harry jogou o cabelo no liquido lamacento. No momento em que houve contato em sua
superfície, a poção começou a se modificar e então tornou-se, por fim, um claro dourado
brilhante.
“ Ah, você parece muito mais apetitoso do que Crabbe e Goyle, Harry” Disse Hermione,
antes de focar as sobrancelhas levantadas de Ron, corando levemente ela disse “Ah,
você entendeu o ponto – a poção de Goyle parecia ‘emperrada’.
“ Certo então. Falsos Potters, alinhem-se aqui, por favor” disse Moody. Ron, Hermione,
Fred, George e Fleur se alinharam em frente a impecável pia de Tia Petúnia.
“ Falta um” disse Lupin.
“ Aqui” disse Hagrid grosseiro, e levantou Mundungus pelo pescoço e o colocou ao lado
de Fleur, que arredou ligeiramente para a outra direção.
“ Isso esta errado, eu deveria ser um protetor” disse Mundungus.
" Quieto!” bracejou Moody “Como eu já lhes disse, qualquer Comensal da Morte que
encontrarmos terá a intenção de capturar Potter, não mata-lo. Dumbledore sempre dizia
que Você-sabe-quem desejaria mata-lo pessoalmente. Os protetores são aqueles que
mais tem o que temer; os Comensais da Morte não hesitarão em matá-los”
Mundungus não parecia exatamente tranqüilizado, mas Moody já estava pegando meia
dúzia de copos de dentro de sua capa, os quais ele distribuiu, antes pondo um pouco de
Poção Polissuco em cada um.
“ Todos juntos, agora...”
Ron, Hermione, Fred, George, Fleur e Mundungus beberam. Todos eles engasgaram e
fizeram caretas de nojo a medida que a poção atravessava suas gargantas; Hermione e
Mundungus davam chutes para cima; Ron, Fred e George estava tremendo; suas mãos
estavam escurecendo, Hermione e Fleur pareciam ferir-se por dentro.
Moody, um tanto desconcertado, estava agora afrouxando os nós dos largos sacos que
ele havia trazido consigo. Quando ele endireitou-se, havia seis Harry Potters engasgando
e cuspindo à sua frente. Fred e George voltaram-se um para o outro e disseram ao
mesmo tempo, “wow – Estamos idênticos!”
“ Eu não sei, todavia. Penso que continuo um pouco mais bonito” Disse Fred examinando
seu reflexo.
“ Bah” disse Fleur, checando a si mesma na porta do microondas “Bill, não me olhe –
estou terrível”
“ Aqueles os quais as roupas estão um pouco largas, eu tenho menores aqui” disse
Moody, indicando o primeiro saco, “e vice versa. Não esqueçam os óculos, há seis pares
no bolso lateral. E quando estiverem vestidos, há bagagem no outro saco.
O Harry verdadeiro pensou que aquilo era a coisa mais estranha que ele já havia visto, e
ele já havia visto coisas extremamente estranhas. Ele observou como suas seis cópias
vasculharam os sacos, procurando as roupas, pondo óculos. Ele sentiu como se pedindo
a eles para demonstrarem um pouco mais de respeito pela sua privacidade a medida que
eles começaram a trocar de roupas deixando a vista seu corpo. Eles deveriam tratar como
se estivessem com seus próprios corpos.
“ Eu sabia que Ginny estava mentindo sobre aquela tatuagem,” disse Ron, olhando para
baixo para seu peito nu.
“ Harry, sua visão é realmente terrível” disse Hermione, enquanto colocava seus óculos.
Uma vez vestidos, os falsos Harrys pegaram suas bagagens e gaiolas de corujas, cada
uma contendo uma coruja branca empalhada, vindas do segundo saco.
“Ó timo” disse Moody, quando o sétimo Harry terminara de se vestir, e aguardava com a
bagagem pronta. Os Harrys encararam-no. “Os pares serão estes: Mundungus viajará
comigo, de vassoura...“
“ Por que eu estou com você?” Grunhiu o Harry mais perto da porta dos fundos.
“ Porque você é um dos que precisa ser vigiado,” Rosnou Moody, e Mundungus não saiu
da mira de seu olho mágico “Arthur e Fred...“
“ Eu sou George,” disse o gêmeo para o qual Moody estava apontando “Vocês não podem
parar de nos confundir nem quando somos Harry?”
“ Desculpa, George.“
“ Só estou te enchendo, sou o Fred na verdade.“
“ Basta de inutilidades” - enraiveceu-se Moody - “O outro – George ou Fred ou qualquer
um que seja – você esta com Remus. Senhorita Delacour...“
“ Eu estou levando Fleur em um testrálio,” disse Bill. “Ela não é muito fã de vassouras”
“ Senhorita Granger com Kingsley, também de testrálios.“
Hermione pareceu tranqüilizada ao responder o sorriso de Kingsley; Harry sabia que
Hermione também não era muito intima de vassouras.
“ O que deixa você e eu, Ron!” disse Tonks, empolgada, acenando para ele.
Ron não parecia tão satisfeito quanto Hermione.
“ E você esta comigo, Harry. Tudo certo?” disse Hagrid, parecendo um pouco ansioso.
“Nós estaremos na moto, vassouras e testrálios não suportam meu peso, veja só. E você
não cabe no assento comigo junto, todavia, portanto você irá no carrinho lateral.”
“ Está ótimo” disse Harry, não totalmente certo disso.
“ Nós achamos que os Comensais da Morte estarão esperando que você esteja em uma
vassoura,” disse Moody, que pareceu adivinha como Harry se sentia. “Snape teve muito
tempo para dizer a eles tudo que ele nunca disse antes, então caso sejamos perseguidos
por qualquer Comensal, estamos crentes que ele irá escolher um dos Potters que está em
uma vassoura, tudo certo então,” Ele continuou, carregando o saco com as roupas dos
falsos Potters e caminhou para a porta, “Eu fiz este plano três vezes até antes de sair.
Não tranque a porta de trás, isso não manterá os Comensais da Morte fora quando eles
vierem.”
“ Vamos”
Harry se apressou, pegou suas bagagens, Firebolt e a gaiola de Hedwigs no escuro
jardim.
Por todos os lados, vassouras estavam levantando vôo. Hermione já havia recebido ajuda
de Kingsley para subir no grande testrálio negro. Fleur subira no outro com Bill. Hagrid
estava parado, pronto para partir ao lado de sua moto, óculos postos.
“É essa! É essa a moto de Sirius?”
“ Ela mesma” disse Hagrid.
Harry não pode ajudar, mas sim sentir-se um pouco confuso à medida que entrava dentro
do carrinho lateral.
Hagrid ligou a motocicleta. Ela rugiu como um dragão, e o carrinho lateral começou a
vibrar.
“ Boa sorte, para todos.” Gritou Moody. “Vejo vocês todos em uma hora no Burrow. No
três. Um... Dois... TRÊS!”
Houve um grande rugido de moto, e Harry sentiu o carrinho lateral dando uma boa
arrancada.
Ele estava cortando o ar rapidamente, seus olhos enchendo de lágrimas levemente, seus
cabelos ventavam para fora de seu rosto. Em volta dele, vassouras levantavam vôo
também; a longa calda negra de um testrálio passou por ele. Suas pernas, apertadas
dentro do carrinho lateral devido a gaiola de Hedwig e suas bagagens, já doíam e
começavam a ficar dormentes. Tão grande era seu desconforto que ele quase esqueceu
de dar uma ultima olhada no número 4 de Privet Drive; no momento em que ele olhou
pela beirada do carrinho lateral, ele não mais podia dizer qual era. Cada vez mais altos,
ele adentraram o céu.
E então, fora de nenhum lugar, fora de nada, eles estavam cercados. Pelo menos trinta
figuras encapuzadas, voando, formaram um grande circulo em volta deles, no qual os
membros da Ordem estavam. Houveram vários raios verdes passando por eles, então
algo caiu, Harry gritou e...
Um feixe de luz verde. A coruja caiu para o chão da gaiola.
“ Não – NÃO!”
A motocicleta foi à toda velocidade para frente; Harry vislumbrou encapuzados Comensais
da Morte espalhando-se à medida que Hagrid disparou através do circulo.
“ Hedwigs! Hedwigs!“
Mas a coruja permaneceu imóvel e patética como um brinquedo no chão de sua gaiola.
Ele não podia aceitar, e seu terror pelos outros foi primordial. Ele olhou por cima de seu
ombro e viu uma massa de gente se movendo, feixes de luz verde, 2 pares de pessoas
em vassouras se afastando, mas ele não podia dizer quem eram...
“ Hagrid, nós temos que voltar, nós temos que voltar!” ele gritou em meio ao barulho de
feitiços e ao rugir da motocicleta, puxando sua varinha, colocando a gaiola de Hedwig no
chão, se recusando a acreditar que ela havia morrido. “Hagrid, VOLTE!”
“ O meu trabalho é levá-lo lá a salvo, Harry!” berrou Hagrid.
“ Pare! PARE!” - Harry gritou, porém quando olhou para trás novamente, dois jatos de luz
verde passaram por pouco de sua orelha. Quatro comensais da morte tinham deixado o
círculo e estavam a persegui-los, mirando nas largas costas de Hagrid. Hagrid desviou-se,
porém os Comensais estavam na cola da moto; mais jatos, e Harry teve que se enfiar no
carrinho lateral para evitá-los. Esgueirando-se ele gritou, “Estupefaça!” e um raio saiu de
sua varinha, criando um vão entre os quatro Comensais da Morte à medida que eles
desviavam.
“ Segure-se Harry, essa é pra eles!” gritou Hagrid, e Harry olhou justo na hora que Hagrid
esmurrou um espesso dedo em um botão verde próximo ao medidor de combustível.
Uma parede, uma sólida parede, surgiu pelo exaustor. Esticando seu pescoço, Harry a viu
expandir-se no meio do ar. Três Comensais desviaram-se bruscamente e a evitaram, mas
o quarto não teve tanta sorte; ele desapareceu de vista e então caiu como um pedregulho
por trás, sua vassoura quebrou em pedacinhos. Um de seus companheiros diminuiu para
salvá-lo, mas ele e a parede voadora foram engolidos pela escuridão à medida que
Hagrid retomou o guidom e acelerou.
Mais Avada Kedrava passaram pela cabeça de Harry vindos dos dois Comensais
restantes; eles estavam mirando em Hagrid. Harry reagiu com feitiços estonteantes:
Vermelho e verde colidiram no meio do ar, em um espetáculo de faíscas multicoloridas, e
Harry lembrou-se um pouco de fogos de artifício, e então dos Trouxas abaixo os quais
não tinham idéia do que ocorria.
“ Aqui vamos nós de novo. Harry, segure-se!” gritou Hagrid, e ele pressionou um segundo
botão. Desta vez uma grande teia saiu do exaustor, mas os Comensais Da Morte estavam
preparados para isso. Não somente desviaram, mas o companheiro que havia voltado
para salvar o amigo inconsciente voltara. Ele surgiu repentinamente da escuridão e agora
três deles estavam perseguindo a motocicleta, todos soltando feitiços.
“ Agora vai Harry, segura firme!” gritou Hagrid, e Harry o viu meter toda a mão em um
botão roxo ao lado do medidor de velocidade.
Com um inconfundível barulho, chamas de dragão saíram do exaustor, branca, quente e
azul, e a motocicleta atingiu a velocidade de uma bala com o som de metal
desvencilhando. Harry viu os Comensais da Morte desviarem bruscamente para evitar a
chama mortal, e ao mesmo tempo sentiu o carrinho lateral balançar-se sinistramente.
Suas conexões metálicas com a moto haviam lascado com a força da aceleração.
“ Tá tudo bem, Harry” berrou Hagrid, agora com o corpo muito para trás devido a
velocidade; ninguém estava conduzindo agora e o carrinho lateral começou a girar
violentamente.
“ Esta tudo sobre controle Harry, não se preocupe!” Hagrid gritou, e de dentro do bolso de
sua jaqueta ele puxou sua sombrinha rosa e florida.
“ Hagrid! Não! Deixa que eu faço!”
“ Reparo!”
Houve um barulho ensurdecedor e o carrinho lateral desvencilhou-se da moto
completamente; Harry voou para frente, impulsionado pelo ímpeto do vôo da moto, então
o carrinho lateral começou a perder altura. Desesperado, Harry apontou sua varinha para
o carrinho lateral e gritou:
“ Wingardium Leviosa!”
O carrinho levitou, desestabilizado, mas ao menos continuava no ar. Ele teve alguns
segundos, porém, novos feitiços passaram por ele: Os três Comensais da Morte estavam
se aproximando.
“ Estou indo, Harry!” Hagrid berrou do meio da escuridão, mas Harry pôde sentir o
carrinho começar a desabar novamente: agachando-se o máximo que conseguira, ele
apontou para o meio das figuras na escuridão e gritou “Impedimenta!”
O feitiço atingiu o Comensal do meio bem no peito: Por um momento, o homem estava
absurdamente perdido ao bater em uma barreira invisível. Um de seus companheiros
quase bateu com ele.
Então o carrinho começou a cair para valer, e o Comensal restante lançou um feitiço
muito próximo a Harry que ele teve que se abaixar bruscamente, batendo um dente na
beira do assento.
“ Estou indo Harry, estou indo!”
Uma grande mão pegou as vestes de Harry e o puxou para fora do carrinho; Harry pegou
sua mochila enquanto foi puxado para o assento na motocicleta.
Enquanto eles subiam, fora do alcance dos dois comensais restantes, Harry cuspiu o
sangue para fora de sua boca, apontou sua varinha para o carrinho caindo e gritou,
“Confringo!”
Ele sentiu uma péssima ponta de culpa por Hedwig; o Comensal da Morte mais próximo
fora jogado para fora de sua vassoura e caiu; seu companheiro voltou e desapareceu.
“ Harry, Eu sinto muito, sinto muito.” Gemeu Hagrid “Eu não deveria ter tentado reparar o
carrinho eu mesmo – eu não sei fazer nada –“
“ Isso não é um problema agora, só continue voando!” Harry gritou de volta, avistando
mais dois Comensais que emergiram da escuridão, se aproximando.
À medida que os feitiços iam passando por eles, Hagrid desviava. Harry sabia que Hagrid
não hesitaria em usar o ‘botão do fogo do dragão’ novamente, com Harry espremido ali,
de forma tão insegura. Harry mandou feitiço depois de feitiço de volta contra seus
perseguidores, mal os segurando. Ele mandou outro feitiço impedimenta. O Comensal
mais próximo desviou-se bruscamente e seu capuz caiu, e pela luz vermelha do feitiço
Harry pôde reconhecê-lo: Stanley Shunpike.
“ Expeliarmus!” Harry gritou.
“É ele, é ele, é o verdadeiro!”
O grito do Comensal chegou a Harry mesmo com todo o barulho da moto: No outro
momento, ambos os perseguidores ficaram para trás e desapareceram de vista.
“ Harry, o que houve?” berrou Hagrid. “Para onde eles foram?”
” Eu não sei!”
Mas Harry estava com medo. O Comensal encapuzado havia gritado. “É o verdadeiro!”
Como ele sabia? Ele olhou fixamente em volta para a escuridão e sentiu a ameaça. Onde
eles estavam?
Ele subiu com dificuldade no assento para olhar para frente e se agarrou nas costas de
Hagrid.
“ Hagrid, faz a coisa do fogo do dragão de novo, vamos embora logo!”
“ Segura firme então Harry!”
Houve novamente um barulho inconfundível e a chama branca e quente saiu pelo
exaustor. Harry sentiu ele mesmo voltando para trás do pequeno assento, Hagrid afundou
para trás também, mal mantendo o controle do guidom.
“ Eu acho que eles nos perderam Harry, eu acho mesmo!” gritou Hagrid.
Mas Harry não estava convencido. O medo corria por ele quando ele olhava da direita
para esquerda a procura de perseguidores... Por que eles haviam ficado para trás? Um
deles ainda possuía uma varinha... é o verdadeiro ... eles disseram isso depois da
tentativa de Harry de desarmar Stan...
“ Estamos quase lá Harry, quase lá!” disse Hagrid.
Harry sentiu a moto baixar um pouco, porém continuaram no caminho.
Então a cicatriz em sua testa queimou como fogo. Um Comensal da Morte apareceu em
cada lado da bicicleta, duas maldições da morte erraram Harry por milímetros.
E então Harry o viu. Voldemort estava voando como fumaça no vento, sem vassoura ou
trestálio para segurá-lo, sua cara de cobra brilhando na escuridão, seus dedos brancos
segurando sua varinha novamente.
Hagrid foi com a moto para um repentino mergulho. Esgueirando-se, Harry mandou uma
série de feitiços contra a escuridão. Ele viu um corpo passar por ele e soube que tinha
atingido algum deles, mas então ele ouviu um barulho e viu fagulhas saírem do motor; a
motocicleta pirou no ar, completamente fora de controle.
Jatos de luz verde passaram por eles de novo. Harry não fazia idéia do que era cima, ou o
que era baixo. Sua cicatriz continuava a queimar; ele esperava morrer em qualquer
segundo. Uma figura encapuzada em uma vassoura estava logo à sua frente, ele a viu
levantar seu braço.
“ NÃO!”
Com um grito de fúria, Hagrid jogou-se de dentro da moto até o Comensal; para seu
horror, Harry viu ambos caindo, seus pesos combinados eram muito para a vassoura.
Mal segurando-se a motocicleta com seus joelhos, Harry ouviu Voldemort gritar:
“Meu!”
Estava acabado. Ele não podia ver ou ouvir onde Voldemort estava; ele vislumbrou outro
Comensal da Morte voando e ouviu: “Avada...“
Assim como a cicatriz de Harry forçou seus olhos a se fechar, sua varinha agiu por conta
própria. Ele sentiu ela empunhada em sua mão como um imã, viu um esguicho de fogo
dourado através dos seus olhos semi-abertos, ouviu um crack e um grito de fúria. O
Comensal restante berrou. Voldemort gritou.
“ Não!”
De alguma forma, Harry achou o botão do fogo de dragão. Ele o apertou com sua outra
mão e a moto lançou mais fogo no ar.
“ Hagrid!”
Harry chamou, segurando-se na moto.
“ Hagrid. Accio Hagrid!”
A moto aumentou a velocidade, puxada diretamente para a terra. Cara a cara com o
guidom, Harry não via mais nada a não ser as distantes luzes cada vez mais perto. Ele ia
bater e não havia nada que ele podia fazer. Atrás dele pôde ouvir outro grito.
“ Você, Selwyn, dê-me sua varinha!”
Ele sentiu Voldemort antes de vê-lo. Olhando para os lados, ele visualizou os olhos
vermelhos e tinha certeza que seriam a última coisa que ele veria. Voldemort estava se
preparando para atacá-lo mais uma vez.
No entanto, Voldemort sumiu. Harry olhou para baixo e viu Hagrid jogado no chão
embaixo dele. Ele puxou forte o guidom para evitar bater em Hagrid, tateou atrás do freio,
mas com um barulho estrondoso, o chão tremia, ele caiu direto em um poço de lama.

CAPÍTULO 05 - GUERREIRO CAÍDO